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A verdade como recurso retórico: Procópio de Cesareia e a construção de uma história política e militar do imperador Justiniano

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Main author information

Renato Viana Boy (Brazil) 5332
Doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP)- Brasil, professor de História Antiga e Medieval no curso de Licenciatura em História da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), professor do Programa de Pós-Graduação em História da UFFS e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre-Brasil. Dedica-se à pesquisa em História e Historiografia bizantina da Antiguidade Tardia.
Scientific production

Event
GKA HUMAN 2021:     10th International Conference on Humanities
04/19/2021

Keywords
Procópio de Cesareia; História das Guerras; Retórica

Abstract

Na história do Império Bizantino, o século VI foi marcado por uma sequência de conflitos militares que ficaram historiograficamente conhecidas como as “Guerras de Reconquista” do imperador Justiniano (527-565). Neste período, o historiador Procópio de Cesareia (490-562) foi encarregado, na condição de conselheiro do general Belisário, de elaborar uma narrativa destes combates, visando construir uma memória daqueles que seriam os maiores e mais vitoriosos feitos do governo de Justiniano. Nosso objetivo aqui é problematizar a ideia de verdade histórica, proposta por Procópio de Cesareia nos livros da História das Guerras, compreendendo que o historiador se utilizou de um recurso retórico, fundamentado em modelos antigos clássicos, como Heródoto e Tucídides, para que suas narrativas sobre as guerras do século VI não fossem questionadas em relação à sua veracidade e valorizassem ainda mais os acontecimentos nelas narradas. O historiador pretendia, com isso, fortalecer e glorificar a imagem política e militar do imperador Justiniano na memória de seus contemporâneos e de gerações futuras do Império. Para esta análise, propomos traçar alguns paralelos entre a História das Guerras e as obras de Heródoto e Tucídides, compreendendo o conceito de verdade histórica nestas narrativas, e problematizando o uso deste recurso retórico por Procópio para criar uma imagem gloriosa e vitoriosa do imperador Justiniano, que se preservasse na memória futura do Império.